quinta-feira, 20 de julho de 2017

O homem, a motosserra, o mito

Nem imaginava que o icônico Leatherface teria um filme de origem para chamar de seu. E já tem até trailer!


O filme é dirigido pela dupla Julien Maury e Alexandre Bustillo, conhecidos como um dos pilares da nova onda do terror francês. Seu longa de estreia, o pauleira À l'intérieur (Inside, 2007) deixou o Bloody Disgusting de joelhos:

"One of the most audacious, brutal, unrelenting horror films ever made, Inside is perhaps the crown jewel of the new wave of extreme French horror films."

O elenco traz Stephen Dorff no papel do ranger Hal Hartman - homenagem ao R. Lee Ermey, que figurou no Massacre de 2006? - e Lili Taylor, culpada por protagonizar A Casa Amaldiçoada e solta sob condicional após trabalhar em A Invocação do Mal. Fora a estranha presença de Finn Jones (o Loras Tyrell e Punho de Ferro) como um ranger-provável-candidato-a-presunto.

O filme fará uma exibição no FrightFest de Londres em agosto. Estreia on demand e em circuito limitado a partir de 20 de outubro. Nada animador, mas entre uma coisa e outra já deverá ter caído nos HDs dos bons cristãos.

Pessoalmente, estava pra lá de satisfeito com a origem da família Sawyer/Hewitt no ótimo O Massacre da Serra Elétrica: O Início. Mas as credenciais hardcore dos cineastas e o clima pesado da prévia me agradaram deveras.

E o Leather merece esse mimo!

domingo, 16 de julho de 2017

Bravo, Romero!


George Andrew Romero
(1940 - 2017)

Comentar mais o quê do Grande A. Romero? Não satisfeito em resgatar, modernizar, globalizar e eternizar toda uma estranha subcultura, o cineasta ainda era influência perene em filmes, música, literatura, quadrinhos, artes visuais e o que mais houvesse dentro da cultura pop.

Além de ser o criador do clássico com o título mais legal de toda a história do cinema.

Romero foi a razão direta para muitas trilhas que fui tomando em minha vida - filmes, livros, gibis, discos, visão crítica do mundo, este blog. Nunca me arrependi de nenhuma delas.

Só por isso, meu muito obrigado, velho mestre.


Ps: uma nova maratona da hexalogia ...of the Dead na agulha? Com certeza. Com um Martin e um The Crazies para rebater.

Pps!: Como se não bastasse, Martin Landau também. E a fileira dos grandes diminui a passos largos. 

R.I.P.

sábado, 15 de julho de 2017

Ah, Saga do Urso Místico, sua linda


Os Novos Mutantes - Entre a Luz e a Escuridão, de Chris Claremont & Bill Sienkiewicz. Esse encadernado é parte de um sonho tão antigo que só poderia ser datado via carbono-14.

Ok, ok... esse sonho vem desde 1989, quando peguei numa banquinha O Incrível Hulk #72, formatinho da Abril em que os mancebos mutunas estreavam seu novo desenhista em muito boa companhia: o Verdão em plena fase John Byrne e um divertido Roger Stern escrevendo seus Vingadores da Costa Oeste - que considero o molde utilizado pela dupla Giffen-Dematteis em sua posterior "Liga tosca". Pois bem, meu bem.

Já na 1ª folheada fiquei assombrado com a pegada vanguardista de Sienkiewicz, mesmo nas dimensões pra lá de compactas do gibizinho. Já conhecia seu estilo peculiar pelo Cavaleiro da Lua fase Moench na revistinha do Capitão América, mas pesava lá a forte influência de Neal Adams e da estética de violência urbana do início dos anos 1980. A diferença daquele momentum criativo para o state d'art atingido em Novos Mutantes chega a ser objeto de estudo.

Em que pesem termos como "atmosfera de pesadelo" e "tensão psicológica" surgindo na mente sem aviso, a fluência gráfica de Sienkiewicz vai muito além disso. Há tantas informações por quadrinho, passagens entre-quadros e splash-pages quanto possível antes da coisa degringolar pro surrealismo.



De quebra, um posfácio muy espirituoso de 5 & 20, mais esboços e estudos de personagens nos extras. Menção honrosa para os bons esforços do líbero Bob McLeod na edição Anual, lá pela meiota do livro, pra dar uma quebra.

E Chris Claremont. O homem era uma força da natureza - isso não é necessariamente um elogio. Na década de 80 ele estava em todo lugar, inevitável. Talvez seja o escritor que melhor se adequou aos ditames da indústria e quid pro quo. Com todos os vícios e virtudes, ignorando categoricamente qualquer tentação autoral, virou um zeitgeist perneta dos quadrinhos mainstream daquela era.

Sua passagem pelo roteiro da jovem equipe não foi diferente. Nesse compilado de nove edições, Claremont brilha tanto quanto apronta: meu absurdo favorito acontece justo na edição da capa, New Mutants #21, quando Illyana, durante um pega com o alien biomecânico Warlock, ressurge inexplicavelmente num traje espacial segurando alguma metranca futurista - uma "looonga história" revelada apenas na edição #63, quatro anos mais tarde.

Toda essa quizumba e uma análise minuciosa do run de Claremont-Sienkiewicz você encontra no belíssimo artigo de Greg Burgas para o CBR.

Pelas minhas contas, em cinco anos, 3/4 daquele sonho foram realizados. Nada mal. Falta então apenas mais um...

...que, por acaso, segue como uma das maiores injustiças do mercado editorial brasileiro de HQs.


Vamos lá, Panini. Você consegue. Nos faça acreditar mais uma vez.

sábado, 8 de julho de 2017

Nelsan esteve aqui


Nelsan Ellis
(1978 - 2017)

Em meio à tanta gente boa dando o pé deste mundo cada dia mais chato, não pude me esquivar da partida sem aviso do talentoso Nelsan Ellis. Ou, na forma que ele assumiu com genialidade ímpar, Lafayette Reynolds, da série True Blood. Fácil, fácil, um dos personagens mais marcantes que já tive o prazer de assistir em qualquer mídia.

E como assisti. Até mesmo quando a série já havia queimado toda a sua lenha.




Foi cedo demais, é certo. Mas deixou sua marca.