sábado, 13 de janeiro de 2018

Sede de Vampirella

E no Plantão Especial de Sábado 13: a Vampirella do mestre Rodolfo "Rudy" D. Nebres!


Quando fiz um merecido tributo ao quadrinhista, já havia atentado para a vasta produção do pequeno gigante das Filipinas. Mas foi num dos divertidos (e viajantes) papos com o VAM! que percebi sua proficiência nas aventuras da vampira do espaço sideral mais adorada da cultura B. E com uma qualidade digna dos melhores trabalhos do artista - o que não é pouco.

Pra quem é fã de quadrinhos de terror dos anos 60 e 70, só uma palavra: essencial.

Tecnicamente, não é a primeira vez que menciono a longeva, libidinosa e lasciva Vampirella por aqui. Mas a bombshell sanguessuga certamente merecia uma ocasião especial só pra ela.

“Vampirella – She's so sexy!”
(Rudy D. Nebres)
Antes, uma dose de contexto pra viagem: no longo período entre 1980 e 1996, Nebres colaborou sazonalmente nos títulos da Vampirella. Com isso, acabou estabelecendo uma das únicas pontes de continuidade entre a Warren Publishing (editora das cultuadíssimas Eerie e Creepy, além da Vamp) e a Harris Publications - que adquiriu o catálogo órfão da Warren em 1983, criando assim a Harris Comics.

Vampirella foi a estrela dessa retomada e vislumbrou parte do antigo sucesso com o início dos anos 90, quando encontrou um público já, digamos, fidelizado por supergarotas curvilíneas em trajes mínimos.

O timing era perfeito. Faltou oportunismo.

Tivesse Vampirella caído nas garras fominhas da Marvel, Nebres hoje seria famoso, cheio de grana, mulheres e iates. Ou não - e ao menos seria convidado para as premieres dos filmes live-action da diva vampiresca pela Marvel Studios.


Conheci o trabalho do VAM! na Batdeira pelas suas interações e colaborações no Submundo HQ - o melhor periódico sobre o mercado nacional de quadrinhos que você vai encontrar por aí. É um mix muito bem dosado de expertise em design gráfico com exercício de estilo que faz qualquer leitor de gibis sair por aí sonhando acordado. Principalmente aqueles das "velhas escolas" - leia-se EBAL, RGE e Abril, entre outras.

Já havia visto algo nessa linha em blogs como o Super-Team Family, mas nunca com uma pegada tão abrangente e profissional. E adaptado à nossa realidade editorial, com direito a pesquisas históricas cuidadosas, do tipo que não se vê em qualquer lugar. E aí que papo vai, papo vem, surge a ideia de juntar o útil ao agradável: a Batdeira com o BZ; a Vampirella com o Nebres; e, enfim, a Vampirella do Nebres.

Os projetos da Batdeira, com as devidas exceções, são pautados em sua viabilidade real e impacto de mercado. Com as sucessivas compilações da Vampirella pela Mythos, por que não um material genuinamente clássico da sanguinária heroína? Francamente não consigo pensar em química mais natural, prontinha pra embalar e vender.

As capas e a diagramação produzidas pelo VAM!, sozinhas, já são vendedoras de alto nível.


Design, arte-finalização, títulos e diagramação por VAM! - Texto por dogg! - Arte por Nebres! - E clique para ampliar!

Fabulosas! Ou nas palavras da Vamp: Satyr and Circe!

A seleção do compilado seria moleza. Começaria com Vampirella #92-#95 (Warren, 1980-1981), da série clássica...


...e seguiria com a fase mais recente - Vengeance of Vampirella ½ (Harris, 1994) e Vampirella Strikes #4, #5 e #7 (Harris, 1996), já incluindo o crossover/quebra com Eudaemon, o Etrigan da Dark Horse.


Tentador como um pescocinho indefeso diante de uma vampira faminta.

Nos extras - é claro que tem que ter extras! - nada melhor que uma galeria de pinups e sketches da morceguinha (ou seria Coelhinha®?) escolhida a dedo - mas gentilmente - dos volumes Vampirella Pin-Up Special 1995 (Harris, 1995) e The Art of Vampirella (Dynamite, 2010).








Depois dessa dá até pra sonhar com aquele longa da Vamp pela Hammer Films (!) que nunca saiu do papel.

Tem jeito aí, VAM!?

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Curta Jonze

Sem dúvida nenhuma, Mourir Auprès de Toi - ou To Die by Your Side (2011) - de Olympia Le Tan, Spike Jonze e Simon Cahn é o curta mais evocativo, espirituoso e fofo que verei essa semana.


Spike Jonze é uma figura. Ao mesmo tempo que parece o cara mais underground do mainstream, não se rende nem a um, nem ao outro. Sua carreira de ator, produtor, roteirista e, principalmente, diretor é tão errática quanto prolífica. Mas esse free spirit todo também traz lá seus custos - quando foi a última vez que seu nome foi alçado às alturas? Ela, de 2013?

Não que ele precise. Pra mim, um sujeito que tem no currículo a direção de Quero Ser John Malkovich e Adaptação tem crédito vitalício na praça.

Isso pra não falar de todos aqueles videoclipes bacanudos. MTV da melhor safra.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

The Duel After


E falando em 2001: Uma Odisséia no Espaço, quando molequinho esse era tradicionalmente o primeiro filme que eu assistia no ano. Na madrugada de réveillon, todos os canais saíam do ar, exceto a Globo, que exibia 2001 após a Missa do Galo, quase ao alvorecer do dia. Claro... "assistia" é só força de expressão: após alguns minutos eu dormia como se não houvesse amanhã. Nem a macacada quebrando ossos ao som de Strauss me mantinha acordado.

Conforme fui envelhecendo, fui tomando jeito - alcancei o espaço e aos poucos (bem aos poucos) fui me aproximando da grandiosa sequência final em Júpiter. Finalmente! Não entendia nada daquilo, mas... finalmente!

Até hoje mantenho o ritualzinho de início de ano. Mas no lugar da obra-prima de Kubrick na Globo, o posto foi assumido - now, in D.V.D. - por Encurralado, o famoso Duel (1971) de Steven Spielberg. Esse foi o primeiro longa do cineasta, embora originalmente não tão longo para o cinema (74 min.) e produzido para um programa semanal do canal ABC.

Durante muito tempo, Encurralado foi o filme que inaugurou minha grade anual da 7ª Arte. Por algum motivo, o ano não começava pra mim antes de revisitar a saga de um inofensivo motorista (Dennis Weaver) sendo caçado por um assustador caminhão-tanque ao longo de uma highway no deserto de Mojave. Mas já há uma trinca de anos que o debut Spielberguiano tem dividido a telinha com outro telefilme. E produzido pelo mesmo canal.

Em novembro de 1983, a comportada e superfamília ABC resolveu aterrorizar o público americano - e o resto do planeta - com a exibição de O Dia Seguinte (The Day After). O filme era a dramatização do medo mais recorrente na época: uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. O momento em que os mísseis são disparados dos silos nas bucólicas paisagens do Kansas e os efeitos old school misturando montagens e cenas de arquivo reais são arrepiantes. E os espólios do conflito fazem os sobreviventes invejarem quem morreu nos ataques.

Ainda hoje o filme traz uma carga deprê incrível. Especialmente para aqueles que se lembram daquela versão de mundo com duas Alemanhas. Isso graças ao olhar clínico do diretor Nicholas Meyer no elenco estelar - todos francamente engajados a fazer do filme um manifesto desesperado, mas sem panfletarismo: apenas se valendo dos apectos mais pungentes que uma grande atuação pode alcançar.

Nunca vi o Steve Guttenberg tão triste e miserável num filme. Difícil não ser impactado pela cena em que uma mãe (Bibi Besch) se recusa a aceitar que as bombas estão vindo e insiste em arrumar o quarto dos filhos. Ou acompanhar a lenta derrocada moral e psicológica de um médico veterano interpretado magnificamente pelo saudoso Jason Robards.


Além da natureza árida e da impiedosa descontrução do elemento humano, o que esses dois filmes têm em comum são seus protagonistas encarando um cenário inglório, quixotesco. São a epítome da máxima "coisas ruins também acontecem com pessoas boas".

Mas acima de tudo, são sobre pessoas que mesmo diante disso tudo, continuam seguindo, olhando para frente, para o futuro, por menos promissor que ele pareça.

Por quê? Não sei. Mas, estranhamente, é uma boa maneira de começar um ano.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

No centenário de Jack Kirby quem faz a festa é você... com os importados


Num mundo perfeito, 2017 seria comemorado pelo público e editoras nacionais de quadrinhos como se fosse o aniversário de alguma grande cidade ou de algum santo padroeiro. Como sabemos, esse foi o ano do centenário de Jacob Kurtzberg (1917-1994), também conhecido como Curt Davis, Jack Curtiss, Lance Kirby (esse é ótimo), Jack Kirby. Ou simplesmente o apelido mítico que ganhou de Stan Lee: "The King".

Do fim dos anos 1950 até o fim dos anos 1970, Kirby dominava. Atualizou a estética e a dinâmica das HQs com uma fúria reformista nunca vista antes - e raríssimas vezes depois. Fez a ponte entre complexidade e simplicidade, desenvolvendo um estilo próprio que o permitia produzir páginas e páginas em ritmo industrial sem oscilar na qualidade. Nunca ninguém produziu tanto em tão pouco tempo quanto Kirby. Era praticamente um Jimmy Page dos gibis. Seu legado para as artes e para a indústria é incomparável, exercendo reflexos vívidos até hoje.

Lá fora, a artilharia Kirbyana foi incessante - não apenas neste ano comemorativo, mas nas últimas décadas. Lançamentos a todo vapor, nada sai de catálogo e a variedade de opções é impressionante. Mesmo.

Apesar disso, não é bem um cenário de reconhecimento que se vê por estas bandas atualmente, a começar por uma boa parcela dos fanboys. Já li cada bobagem sobre a arte de Kirby e ignorância sobre o contexto da época que hoje desconfio que aquelas famosas ponderações de Umberto Eco eram sobre alguns leitores de HQs. Como bem resumiu o Daniel Lopes, do Pipoca & Nanquim: "tolos".

E não ficou muito melhor com o tributo magrinho que a Panini reservou para o ano do centenário com os dois volumes de Lendas do Universo DC: Super Powers, num equívoco seletivo de dar gosto. É material inédito por aqui, certo, mas nada representativo do que foi o Rei no auge. Isso era pra ser lançado bem depois de Quarto Mundo, Kamandi, OMAC e Etrigan, o Demônio, só pra ficar na jurisdição DC. Ou, no mínimo, pra anteceder metade dessas sagas ainda em 2017.

Vão-se os centenários, ficam os importados. Se descaso é mato nessa terra, sejamos os capinadores.



Machine Man - The Complete Collection foi irresistível. Curto demais a versão 1.0 do X-51/Aaron Stack/Homem-Máquina - e de menos o upgrade Inspector Gadget engraçadinho que ele recebeu nos anos recentes. Então foi uma rara oportunidade de fechar tudo que achei legal de um personagem numa tacada só. Ou melhor... em duas.

O calhamaço é graúdo: além das participações no título do Hulk e da Marvel Comics Presents, as 440 páginas também trazem todas as 19 edições da série original do Machine - ou "Mister Machine", como era chamado em sua estreia oficial na quadrinhização do Rei para o clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço, não compilada aqui por conta dos direitos que mofam ad eternum nos cofres da MGM.

E tudo bem que não se trata de um material 100% Kirby. Afinal, ele divide metade da série solo com outro criador peso-pesado - ninguém menos que o genial e genioso Steve Ditko. Excelsior!

Nada mal como uma (Almost) Complete Collection.



The Demon by Jack Kirby é uma que entrou no meu target desde o início da pré-venda. Isso foi lá pelo ano passado, mas pareceu uma eternidade.

Uma baixa terrível, literalmente, de última hora: a substituição da capa original da The Demon #1 (set/1972), clássica e espetaculosa, por uma arte em detalhe que mais parece um flash do Etrigan com enquadramento ruim. Que o autor dessa ideia cumpra uma pena exemplar nos círculos inferiores.

E já que toquei no assunto, a Amazon anda meio salafrária ultimamente. Alguém mais encomendou aquele Cavaleiro das Trevas anunciado com capa prateada e recebeu a versão anterior, com as silhuetas do Batman e do Super?

O TPzão coleta as dezesseis edições originais de The Demon, cuja publicação atropelou os planos ambiciosos do Rei para seu xodó, a megassaga Quarto Mundo - cancelada após o sucesso nas vendas do diabão amarelo. O que, imagino, deve ter deixado Seu Kirby muito enjuriado pela sua demoníaca criação.

Deve ser a maldição do gênio da raça. Fazer o quê, se até pra chupinhar beber em fontes alheias, o Rei dava um show de preciosismo nas referências?

Seja como for, o capeta rimão aportou direto no quadrante 666 da coleção.


Há que se fazer a menção honrosa aos divertidíssimos The Demon vol. 1: Hell's Hitman e The Demon vol. 2: The Longest Day, com a dobradinha Garth Ennis/John McCrea imersa em insanidade e anarquia, e para The Demon: From the Darkness, de Matt Wagner e Art Nichols - provavelmente a melhor história do Etrigan já escrita.

Em outras palavras, o Demônio do Rei Kirby está em excelentes más companhias.


E o Máquina também.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Bebendo com Nocenti


"Bebendo com o Demônio" é, de certo, um conto de Natal que passaria ao longe do know-how criativo do bom e velho titio Stan.

Publicada originalmente em Daredevil #266, num imperdoável maio de 1989, a história ganhou um melhor timing na edição nacional, em Superaventuras Marvel #115, da Abril. Era janeiro de 1992 e a ressaca natalina ainda batia forte. Assinada pela clássica dupla Ann Nocenti-John Romita Jr., "Bebendo com o Demônio" é uma desconstrução daquele clima de paz, amor e solidariedade despejado todo fim de ano em pacotes superficiais e efêmeros.

Com sua vida pessoal em frangalhos e recém-saído de um dos piores momentos - e surras - de sua trajetória de vigilante, o Demolidor estava sem rumo e imerso numa bad trip infernal naquele 24 de dezembro.

A premissa era minimalista: o defensor da Cozinha do Inferno atravessando a noite da maior festa cristã num pub em companhia dos figurantes, dos desajustados, dos caras pequenos, dos outsiders. De todos aqueles amigos da Geni.

Personagens mundanos como uma elegante senhora numa eterna espera romântica, um marido abusivo, um reacionário de meia-idade, dois irmãos que escondem profundas cicatrizes familiares. Todos, por um breve momento, sentindo o gostinho do protagonismo. Que pode ser bem amargo.

“Alguém mordeu a maçã! Ela apodreceu naquele dia!”

Aquele microcosmo impregnado de frustrações, mágoas, angústias e pequenas tragédias humanas foi praticamente um tapete estendido para os leões que rugem na escuridão. Um cenário sob medida para mais uma incursão do diabo-in-chief da Marvel. Na época, Matt Murdock andava às voltas com o insidioso Mefisto por conta do evento Inferno. Àquela altura, a megassaga já havia acabado, mas o rei das trevas não esqueceu.

Disposto a tudo para corrompê-lo psicológica e moralmente, Matt era o 2º grande troféu almejado por Mefisto (sendo o 1º Norrin Radd, o virtuoso Surfista Prateado). Até mesmo a forma assumida pela criatura foi uma pista do que Mefisto era capaz para alcançar seu objetivo - além de servir como alusão a um dos maiores pecados de Matt. Mesmo com a tensão subindo e ruindo tudo e todos ao redor, o vigilante seguia paralisado, inerte com a culpa católica vazando pelos poros.

Nocenti estava implacável com o Demônio.

“Eles se matarão continuamente... sem parar! Morderão as maçãs!
Irmão matará irmão! Continuamente... sem parar!”

É uma leitura marcante, no mínimo. Uma das minhas prediletas.

Sempre me pareceu que uma narrativa com aquele grau de intensidade só podia ser escrita por quem viveu aquilo tudo. Ao menos a versão realística de uma solitária noite de Natal rodeado de estranhos, mas em companhia apenas de seus fantasmas (ou demônios) particulares.

E foi realmente o que aconteceu.


Em 2014, Ann Nocenti contou ao site 13th Dimension como "Bebendo como o Demônio" foi inspirado em fatos reais - e bastante pessoais. Nas entrelinhas, um depoimento de como momentos potencialmente ruins podem se revelar experiências positivas, até mesmo rendendo bons frutos no futuro.

Não precisava disso pra ser uma releitura obrigatória de Natal. Mas que foi a assinatura que concluiu a obra, 25 anos depois, isso foi...


“Pra mim o mundo não tem mais jeito! A maçã está podre! 
Não tem mais volta!”

Feliz Natal e um ótimo 2018.

domingo, 3 de dezembro de 2017

delBoy

Fábula onírica dark é comigo mesmo. Entre a ótima recepção da crítica ao novo do Guillermo del Toro, este Tim Burton do milênio, e a premissa remontando ao clássico da Sessão da Tarde Splash - Uma Sereia em Minha Vida (alô, quarentões: tamo junto), certamente vale a pena ficar de olho nesta pérola.


Mas fica a dúvida: com todas as evidências, seria mesmo um prequel secreto do Abe Sapien - com o mesmo Doug Jones por baixo das escamas - ou Mike Mignola vai ficar ainda mais fulo com o del Toro? Seja como for, só por colocar Michael Shannon e Richard Jenkins na mesma película já ganhou minha atenção.

A Forma da Água tem previsão de estreia por aqui em 11 de janeiro.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Avante, Salvat!

Sabe aquele momento no programa do Silvio Santos em que um participante já ganhou uma boa quantia em espécie e, já pronto pra partir felizão pra casa, recebe do faustiano apresentador uma proposta que triplica/quintuplica/decuplica o prêmio num tudo-ou-nada irresistível?

Pois é. A editora Salvat é o Silvio Santos do mercado brasileiro de quadrinhos. Mah-oeee.

Eu, que já vislumbrava a 3ª idade da relação com os gibis, à base de Bonellis, linhas claras e bárbaros cimérios, me vi tragado de volta à singularidade adolescente e colorida do mainstream super-heróico. Ah, para, ô.


Mas tenho meus motivos.

Essa é nada menos que uma das melhores fases dos Vingadores, com a parceria clássica-sim-clássica de Kurt Busiek e George Pérez explorando a quintessência de uma super-equipe. É o suprassumo do super-heroísmo. Juro pelas pinups de Jordi Bernet: se já vi os Vingadores batendo a Liga da Justiça alguma vez em seu próprio território, foi aqui.

Segue a grade dos três tomos (1.136 omnibústicas páginas no total!), incorporando espertamente alguns títulos extra-Avengers adjacentes.

Marvel Edição Especial Limitada Ed. 01 - Os Vingadores: Avante, Vingadores!
Avengers (vol. 3) 1-11, Avengers Annual 1998, Captain America (vol. 3) 8, Iron Man (vol. 3) 7 e Quicksilver (vol. 1) 7

Marvel Edição Especial Limitada Ed. 02 - Os Vingadores: Ultron Ilimitado
Avengers (vol. 3) 0, 12-22 e Avengers Annual 1999

Marvel Edição Especial Limitada Ed. 03 - Os Vingadores: Lendas Vivas!
Avengers (vol. 3) 23-34 e Thunderbolts (vol. 1) 42-44

Tenho a maior parte desse run nos formatinhos e formatões derradeiros da Abril e a coisa toda digitalizada pela Marvel há alguns anos. E vai pra estante. Com a caixinha.

Só a edição 01 coletando, entre outras coisas, a descaralhante Grandes Heróis Marvel v2 #6 praticamente na íntegra (faltou o gibi #10 do Mercúrio) trazendo o inferno pessoal da minha adorada Carol Danvers, já me justifica esse desatino financeiro. Fora que lá vem Conan, Tex Gold, Vilões Mais Poderosos, extensões...

Por favor, alguém pare a Salvat.

Ps: a bem da verdade, só remanejei a verba da cancelada Black Friday da Mythos deste ano. Limões & limonadas...

terça-feira, 17 de outubro de 2017

CONCUBINAS DE ISHTAR!


Na conexão cimério-capixaba da vez, A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 4: O Conquistador. O volume compreende de Savage Sword of Conan #8 a #11 e deixa evidente o quão multifacetado era o título. Estão ali contos curtos, aventuras mais longas e sagas divididas em várias partes que se tornaram momentos essenciais para a compreensão da trajetória do bárbaro. Essa diversificação também era característica da seleção de artistas sob o comando de Roy Thomas - sem, logicamente, ofuscar o protagonismo do lendário John Buscema.

Olhando em retrospecto - e em tempo real, agora, com "A Coleção" da Salvat - fica difícil pensar num título mais complexo do que Savage Sword of Conan. Apesar de metódico e obsessivo, o criador Robert E. Howard não era exatamente um adepto da continuidade. Mapear e adaptar a atribulada vida do bárbaro em ordem cronológica sempre foi um verdadeiro desafio para editores, roteiristas, tradutores, etc. Fosse nos dias de hoje, cabeças rolariam entre as deadlines industriais da Marvel.

É aí que, lá pelas tantas deste volume ("Conan, o Conquistador - parte 5: A Estrada para Acheron", 1976), surge do nada a 1ª menção em SSC à Zenóbia, futura esposa do Conan-Rei de Aquilônia.

Zenóbia havia estreado dois anos antes, em Giant-Size of Conan #2, edição não coletada nesta série por razões óbvias. Mas para entender plenamente a relação entre os dois e a linha do tempo que levou o cimério à coroa, é imperativa também a leitura do conto "A Hora do Dragão", cuja adaptação para os quadrinhos começa na Giant-Size of Conan #1 anterior, vai até a #4 e segue aqui sob o nome "Corsários Contra Stygia" até o fechamento da saga "O Conquistador" - precisamente nestas SSC #8-10. Crom!

Um embróglio editorial difícil de desenrolar e que passa ao longe da jurisdição d'A Coleção salvatiana. E evidentemente uma bola levantada perfeitinha para a Mythos cortar impiedosamente com seu megaluxuoso Conan: O Conquistador. Ora, mas que diacho, hm?

Voltando ao quarto volume, temos novamente a trinca-padrão com a intro de Max Brighel, a galeria de capas e as minibios de Thomas & Buscema.




E sem maiores problemas relacionados à impressão desta vez. O conto de abertura "O Pacto Maldito" está o fino dos tons cinzas na arte de Tim Conrad, assim como o traço de Jess Jodloman em "A Última Canção de Conan, o Cimério". Os cinco segmentos da saga "Conan, o Conquistador", de Buscema com finalização d'A Tribo, também estão acima da apresentação da "dupla" no volume anterior.

E arrisco afirmar que, se Buscema e Windsor-Smith não existissem, o Conan oficial dos quadrinhos seria o de Pablo Marcos. Em "A Maldição da Deusa-Gato", o cimério ronca e vomita fogo, como se um cometa explodisse dentro de um vulcão em erupção*, pronto responder a um simples "bom dia" com uma machadada na testa. Perto dele, os personagens de Hokuto no Ken fugiriam correndo para a aula de balé mais próxima!

* parafraseando meu personal Obi-Wan Berrah de Alencar!

Claro que não podia deixar de destacar a saga em seis partes "A Fortaleza dos Condenados". Essa foi realmente minha menina dos olhos deste vol. 4. Em sua maior parte pela química do traço de John Buscema com a arte-final soberba do filipino Yong Montano. O homem é um monstro do nanquim, um mestre nas sombras, detalhes, texturas e expressões. Ao mesmo tempo em que traz uma pegada densa e carregada, também turbina as sequências de Buscema com um dinamismo que poucas vezes vi.

Um espetáculo que rouba a cena até mesmo da histórica aventura-título. Obrigatório é pouco.

Junto com o volume, a Salvat incluiu uma cartinha bastante cordial agradecendo o apoio à "distribuição local avançada" e se disponibilizando para o ressarcimento dos valores gastos nos 4 volumes.


Obrigado, mas passo. So far, so good.

Então... será que finalizaram os testes? E qual terá sido o resultado?

A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 1
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 2
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 3