terça-feira, 9 de maio de 2017

JotaBeCeeeeeeee!!

Bom dia.

A editora JBC (enfim) desembuchou tudo o que sabe sobre a aguardado lançamento de Akira. Mas ainda não tirei os olhos de uma coisa.


70 mangos o volume. E sem cafuné na pré-venda da Saraiva.

Só pra constar.

Ps: vai ser um bate-boca épico no departamento de fusões & aquisições.

domingo, 30 de abril de 2017

O Estranho das Filipinas


Na época do lançamento do filme do Dr. Estranho, ano passado, fiquei de mandar o foca rascunhar um breve-mas-charmoso texto para a ocasião. Como isso nunca aconteceu, o filme - que me surpreendeu positivamente, que registrem nos autos - acabou como acabaram tantos filmes-pipoca por aqui: passando batido. Felizmente agora, em meio à faxina/releitura sazonal da portentosa coleção de papiros da 9ª arte, o nobre Doutor-Mestre das Artes Místicas há de ganhar seu tributo nesta pocilga. Que belo timing, hm?

Heróis da TV #68 e #69 (fev-mar/1985), formatinhos da Abril. Meu primeiro contato com Stephen Strange fora das fileiras dos Defensores. Era o Stephen solo, de várzea. E assustador pra caralho. Pelo menos pra um moleque acostumado ao bom e velho maniqueísmo multicolorido super-heróico.

O universo particular do Dr. Estranho era um lugar de fato estranho, com traços pesados e uma atmosfera tão obscura que chegava a ser azul. O mago honrava mesmo as calças que vestia quando ainda estrelava Strange Tales, seminal antologia de horror e monstros da Marvel.

Aquelas eram as edições #20 e #22 originais do título Doctor Strange vol. 2, ou Doctor Strange - Master of Mystic Arts. O roteiro de Marv Wolfman não era dado a pirotecnias, mas deixava claro que aquele não era o quadrinho regular da Marvel. Algumas mortes eram de arrepiar -  e aí entra o verdadeiro protagonista destas modestas linhas (mas que sacanagem com o discípulo-mor do Vishanti, você vai dizer, mas calma lá que é justificado): o veterano artista filipino Rudy D. Nebres.

A arte detalhista com painéis que lembravam um óleo sobre tela gótico trazia tons fúnebres, cenários surreais e um clima febril e perturbador que remetia a um pesadelo - nesse ponto lembrando uma cruza blasfema da mão pesada de Gene Colan com o traço estiloso de Neal Adams. Mal comparando, era como o Stephen Bissette, do Monstro do Pântano de Alan Moore, saído de uma missa negra chapado com chazinho de Santo Daime.


Nas duas histórias publicadas, "Xander, o Impiedoso!" e "Tomada pela Loucura", a arte de Nebres se destaca numa aventura, que, de outro modo, ou com outro desenhista, não passaria de divertida. Mas o que se vê aqui, em cada quadr(inh)o é grande arte.

Sem o título de Mago Supremo e com seus poderes diminuídos pelo Ancião (não me pergunte porquê), o Dr. Estranho encontra pela frente o vilão Xander. Durante a batalha, um revés: sua aprendiz Clea acaba possuída pela magia negra de Xander e sai por aí cometendo as maiores atrocidades.


A despeito de Nebres ter concebido a Clea mais sensual de todas, tenho algo a confessar: a cena que mais me causou arrepios nas HQs da época é quando a moça vai parar na cadeia e para se livrar de uma detenta ameaçadora, ela concreta a infeliz ainda viva.



Não satisfeita, Evil Clea sai pela cidade tocando o terror em termos bíblicos e Lovecraftianos, como qualquer minion from hell que se preze.



Tive alguns... "problemas" com essas cenas também, pela carga imagética/religiosa envolvida. Fazer o quê, sou um católico cheio de culpa que não sabe o que faz e que, na época, ainda tinha os  devaneios apócrifos de Os Caçadores da Arca Perdida ecoando forte na cabeça.

Apesar de seu incrível talento, no Brasil a carreira do señor Nebres foi marcada por seus trabalhos como arte-finalista. Ele fazia a cobertura dos lápis de gente como John Buscema, Gil Kane e os citados Gene Colan e Neal Adams, notadamente nos gibis do Estranho, do Hulk e do Conan (em especial A Espada Selvagem). Sempre com uma proficiência e qualidade do nível de um Alfredo Alcala, se for pra mensurar a competência do homem. Mas também assinou muita arte original, conforme o compiladão do Comic Book DB - e que, por algum motivo, continua sepucralmente inédita por aqui em sua esmagadora maioria.

Ao que consta, após a produção em ritmo industrial que manteve nos anos 70 e 80 o artista se afastou dos quadrinhos para investir seus talentos em áreas mais comerciais. Reservado e sem reconhecimento pelo conjunto da obra, Nebres faz aparições esporádicas em convenções de pequeno porte nos EUA.

Pra mim ele sempre será o dono do traço mais bacana - e assustador - que o Dr. Estranho já teve.

sábado, 25 de março de 2017

Trailer Clube dos Cinco

O pen drive do Lex foi descompactado. Seja como for ou como vier, um 1º blockbuster da Liga da Justiça é um evento histórico. Ponto.

E toma trailer.


Esse é talvez o último grande bastião a ser derrubado. Lembra como há uns vinte anos (logo ali) qualquer coisa envolvendo super-poderes parecia impossível na telona? Pelo menos não sem soar camp e datado. E acho mesmo que os créditos de criação de toda a estética e cinematografia que tornaram isso possível deveriam ir para Alex Proyas e Stephen Norrington, respectivamente. Mas esse assunto fica pra próxima.

Sinto uma obrigação cívica de prestigiar a estreia da Liga no cinema, mesmo que os rumos do universo cinematográfico da DC pelas mãos de Zack Snyder sejam pra mim um desastre de proporções apokolípticas. E desconfio que estou sendo mais cerimonioso em relação à importância histórica desse longa do que a própria Warner, mas vamos lá...

Rápido e rasteiro:

  • Ao exemplo das campanhas do filme do Esquadrão Suicida, a prévia vende um pacotão de 2 horas e pouco de aventura/ação modernosa, frenética e com doses de humor mais generosas que o padrão até aqui;
  • O uniforme do Flash é uma tralha, mas o efeito do arranque é ótimo e diferente até da versão televisiva;
  • Cyborg... meu São Steve Austin, que geringonça... CGI pavoroso (isso tem que melhorar) e uma concepção lamentável baseada nos Novos 52 e, sei lá, nos Bayformers?.. e ainda voando (!) igual ao Homem de Ferro; 
  • Há algo muito mal-resolvido no Bat-Affleck, como se ele ainda estivesse bastante desconfortável no personagem... não soa como se estivesse satisfeito com seu próprio Bruce Wayne ou que tenha se acertado com a armadura de dezessete toneladas - mas, veterano, não compromete tampouco;
  • A Mulher-Maravilha da ex-incógnita Gal Gadot brilha a cada aparição e periga valer o ingresso sozinha...;
  • ...tal qual o Arthur Curry/Aquaman do Jason Momoa, entre o fanfarrão e o ameaçador num timing bacana;
  • Ao malocarem o vilão principal ou o Superman fica óbvio que esses elementos serão importantes, quiçá os MacGuffins da trama... quer me enganar, me dá bala.

Trailer é igual displayzinho de McLanche - uma peça publicitária que dificilmente vende o produto de maneira fiel. Mas esse, por priorizar o aspecto diversão da experiência, se sai bem. E dessa forma deixa a espera pelo relaunch do UDC nos cinemas um pouco mais suportável.